sábado, 19 de janeiro de 2008

Conversa lamecha parte II


Sábado de manhã...acordei cedo para ir pintar. Tínhamos combinado às 10 na parede que íamos restaurar, mas todos nós nos atrasámos. Decidimos então que para o tipo de produção que queremos fazer, precisávamos ainda de limar algumas arestas e combinar tudo muito bem antes de passar para a parede.

O resto do people decidiu então ir dar uma cena mais descontraída e mais rápida. Mas como tenho compromissos mais logo, e não tenho tido muita cabeça para desenhar, não fui.

Foi então que uma inércia me atingiu o cérebro...de repente apercebi-me de que estava sozinho outra vez...a minha mãe foi passar o fim de semana fora e a casa está vazia, habitada apenas pelo som das unhas da minha cadela a passear-se pela casa. Se fosse como sempre, convidava o pessoal para cá vir ter ou ia passear com ela...

Não sei porquê, tenho a sensação de estar sozinho. Sinto falta dos meus amigos e dela. Não gosto de tar sozinho, acho que por saber que se durar uns tempos, irei passar ainda muito tempo sozinho quando atingir uma certa idade. Isso assusta-me e dá-me como que uma fome de pessoas! Preciso falar, interagir, comunicar...não quero o silêncio...não quero a solidão...

Este sentimento remete-me para os fins-de-semana que passava com ela...podia até não se passar nada de especial, mas eu sentia-a ali...e eu estava lá com ela...

Lembrei-me dos passeios que dávamos na praia, das corridas que fizemos quando fomos à praia a primeira vez juntos porque ela embirrou que corria mais que eu...lembrei-me de como o pôr do sol iluminava a sua face linda, de pele morena e lisa...lembrei-me de como ficávamos horas a falar sobre tudo na esplanada de um café onde se cheirava o mar e sentia a brisa do vento...lembrei-me...

Agora, aqui sentado, penso no quanto me assusta tar assim...sozinho, sem ela...sem lhe poder ligar e ouvir a sua voz dorminhoca...sem poder ir buscá-la para irmos os dois sentir o sol...

Em vez disso, estou para aqui, engolido por uma passividade e inércia que não me deixam esquecer as saudades. Tenho saudades de nós...Tenho saudade de estar bem sozinho...só comigo.

Ultimamente tenho feito por sair sempre que posso para tentar abstrair-me de tudo, mas o que acaba por acontecer é que apanho sempre a bezana e ganho uma ressaca no dia seguinte. Ontem foi uma dessas noites...hoje é um desses dias...

Não me basta a agonia de não poder tar com quem mais amo, tenho de levar com a merda da ressaca...mas eu sei, se não quero, não bebo...mas beber ajuda a esquecer...momentaneamente...apenas...

Não me considero uma pessoa fraca, e faço por tar bem perto dos outros, mas frente à solidão não consigo lutar...perco sempre...e as lágrimas voltam a correr na minha face...

Quero ser forte, mas sinto-me fraco...quero ser homem, mas sinto-me um rato...

Mas o que eu queria mesmo era o amor dela.



4 comentários:

Anónimo disse...

god...eu podia ter escrito este post...tirando a parte da ressaca pq n bebo :)

faço tudo para n me sentir sozinha, o q me leva a ter o msn ligado mesmo quando estou a estudar, nem q seja p dizer uma parvoice qq, nem q seja p ver que posso falar c alguém à distância de um clic.

mas as saudades do «nós» sobrepõem-se a tudo, e ainda ontém à noite me caíaram em cima. aliás, nunca saem, para melhor dizer.

Ema disse...

também partilho um pouco do sentimento.

acho que esperar é o que temos de fazer, por um pouco de paz de espírito.

pegueitrinquei disse...

Lamechices, lamechices...
Calha a todos, tb já tive a minha dose... É a vida a mexer! Agora é a tua vez...***

Kimaya disse...

Eu sei que não consola, mas sao fases. o Amor é assim, traz-nos dissabores. Nem eu estou imune. Nem mesmo os meus pais estão, eles que vivem há 27 anos juntos.
Nao desistas, mas também não te atires de cabeça.
combina mais cafés, encontra mais amigos. Da resultado.
;)